O Fim do Império Brasileiro (1870-1889)

O fim do Império Brasileiro (1870-1889)

 

A crise do Império

A crise do Império brasileiro resultou de fatores econômicos, sociais e políticos e de questões pontuais: as questões religiosa, militar e escravista.

No quadro de Aurélio de Figueiredo, “O Último Baile da Ilha Fiscal” (1905), temos uma alegoria do fim do Império:

O pintor escolheu retratar justamente o fim da festa, ao amanhecer, quando a família real estava se retirando.

Em meio ao luxo das elites, a Princesa Isabel e o Conde d’Eu são retratados no canto direito inferior em cores desmaiadas e olhando para outra direção de seus convidados, com certa perplexidade: estariam eles sendo apagados pela chegada da República?

Mas a grande estrela da pintura não são os convidados e sim o céu: do lado direito, a Princesa Isabel sendo coroada pela Igreja, mas do lado esquerdo, uma tempestade se aproxima – é a República, representada pela mulher de cinza – ameaçando o reinado.

 

A questão escravista e a questão republicana

Os senhores de escravos não se conformaram com a abolição da escravidão (1888) e com o fato de não terem sido indenizados pelo governo. Abandonados pela monarquia, decidiram também abandoná-la.

Em 1870, foi fundado no Rio de Janeiro o partido republicano, com o Manifesto Republicano, que dizia: “Somos da América e queremos ser americanos”, ou seja, o Brasil deveria deixar de ser escravista, como os demais países americanos.

A economia brasileira também passava por grandes mudanças.

Os imigrantes europeus e a industrialização contribuíram muito para essa mudança. O trabalho assalariado passou a ser o dominante, tanto nas lavouras como nas fábricas. Muitos imigrantes se tornaram donos de fábricas de cerveja, tecido, calçados e trigo.

Rio de Janeiro e São Paulo foram as principais cidades industriais. O mercado consumidor cresceu bastante no final do século XIX.

 

A questão religiosa

Desde o período colonial, a Igreja Católica era uma instituição submetida pelo Estado, através do regime do Padroado.

Em 1872, porém, os bispos de Olinda (D. Vidal) e de Belém (D. Macedo) decidiram seguir as ordens diretas do Papa Pio IX e não do Imperador, punindo irmandades que apoiavam a maçonaria. Em defesa dos maçons, D. Pedro II mandou os bispos suspenderem as punições. Os bispos se rebelaram e foram punidos com 4 anos de prisão.

Em 1875, os bispos foram perdoados, mas a popularidade do Imperador na Igreja já estava bem baixa.

Na charge a seguir, publicada no jornal O Mosquito, em 1875, o Papa Pio IX dá palmadas em D. Pedro II por este defender os maçons (vestidos de preto). Em 1964, pela Bulla Syllabus, o Papa condenava a maçonaria.

 

A questão militar

A vitória na Guerra do Paraguai (1864-1870) trouxe bastante prestígio ao Exército brasileiro. Porém, o governo imperial era indiferente às conquistas militares.

Em 1884, militares de alta patente, como o Marechal Deodoro da Fonseca, se revoltaram contra as punições ao tenente-coronel Sena Madureira (favorável à abolição) e ao Coronel Ernesto de Cunha Matos (que havia publicado uma denúncia de corrupção do governo).

A situação indispôs os militares com o governo imperial.

 

O fim do Império

Sem apoio de setores importantes da sociedade, em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, liderando as tropas revoltosas, deu um golpe de Estado, depondo o Imperador, que estava em Petrópolis com a família.

Formou-se um governo provisório liderado pelo Marechal Deodoro.

 

A República da Espada (1889-1894)

A chamada República da Espada corresponde ao período entre a proclamação da República pelo Marechal Deodoro (1889) até o fim do governo de Floriano Peixoto. O período recebeu esse nome em função dos governos militares, que governaram o país com autoritarismo.

O Marechal Deodoro governou o país de 1889 a 1891, em caráter provisório. Em 1891 foi promulgada a 1ª Constituição da República, que estabelecia:

- Republicanismo, federalismo (autonomia para os estados) e presidencialismo

- Separação entre Estado e Igreja

- Extinto o senado vitalício e o Poder Moderador

- Sufrágio universal masculino (exceto menores de 21, analfabetos, soldados rasos e mendigos).

- O voto era aberto e vetado às mulheres.

Nas eleições de 1891, vence o Marechal Deodoro, disputando com o civil paulista Prudente de Morais. Deodoro, no entanto, assim que assume, fecha o congresso em 3 de novembro de 1891. As reações foram imediatas.

A marinha se rebela com a Primeira Revolta da Armada, forçando Deodoro a renunciar em 23 de novembro de 1891.

Assume o cargo de Presidente da República, assim, o vice, Marechal Floriano Peixoto, apoiado pelas oligarquias paulistas.

O governo de Floriano, no entanto, sofreu bastante oposição. Enfrentou a Revolução Federalista (RS, 1893-95, por maior ou menor centralização política) e a Segunda Revolta da Armada (1892-94, exigindo maior participação da marinha no poder).

 

O Encilhamento

A República da Espada enfrentou uma grande crise econômica, conhecida como Encilhamento.

Para fazer a economia crescer, o Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, permitiu a emissão de papel-moeda por bancos privados e facilitou as condições de acesso ao crédito. O resultado não poderia ter sido mais desastroso: a especulação financeira aumentou, empresas foram à falência em massa, o custo de vida aumentou e a moeda desvalorizou-se.

O Encilhamento afetou a economia do Brasil durante grande parte da década de 1890 e teve seus efeitos amenizados somente a partir de 1897, durante o governo de Prudente de Morais. Além disso, o Encilhamento também foi entendido pelos historiadores como reflexo da crise que o capitalismo enfrentava desde 1873.

 






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